Facebook mente e Google diz a verdade, afirma especialista em dados

Fabiano Alcântara

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Atualizado em 11/07/2017

O economista Seth Stephens-Davidowitz

Divulgação O economista Seth Stephens-Davidowitz

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Em artigo no New York Times, o economista Seth Stephens-Davidowitz afirma que “estudiosos analisaram os dados e confirmam o que, lá não fundo, já sabíamos: como redes sociais estão nos deixando infelizes”.

O autor de Everybody Lies: Dados importantes, novos dados e o que a internet pode nos informar sobre quem realmente somos (ainda sem tradução não Brasil) sustenta que “temos uma vaga noção de que o resto do mundo não pode ser tão bem-sucedido, rico, atraente, descontraído, intelectual e alegrinho quando parece não Facebook; No entanto, é inevitável compararmos nossa vida real com uma versão editada de nossos amigos”.

Stephens-Davidowitz cita que o norte-americano passa seis vezes mais tempo lavando louça que jogando golfe, mas há mais ou menos o dobro de tuítes anunciando a prática do esporte em relação à limpeza da cozinha.

O hotel econômico Circus Circus e o luxuoso Bellagio, ambos em Las Vegas, recebem aproximadamente o mesmo número de hóspedes, mas no Facebook aparece o triplo de check-ins do segundo.

“A busca pelo status on-line sofre algumas distorções um tanto peculiares: o Facebook trabalha com uma empresa terceirizada para reunir dados sobre o tipo de carro que seus usuários, mas também mantém informações sobre os veículos associados às pessoas de acordo com seus postagens e curtidas”, afirma o artigo.

“Assim, uma probabilidade de dono de uma BMW e/ou Mercedes anunciar o fato no Facebook é 2,5 vezes maiores que a de alguém que é um carro médio ou marca comum”, completa.

O economista mostra um contraponto ao mostrar que o problema é constrangedor, como as chances de que alguém se associe publicamente a ele é bem menor.

Os níveis de ocorrência do síndrome do intestino irritável e da enxaqueca são parecidos. Ambos afetam 10% da população dos EUA, mas quem sofre da segunda criou 2,5 mais grupos de conscientização e apoio dos pacientes.

“Esse comportamento não é, de forma alguma, novo, embora tenha o formato de uma assinatura, sim. Amigos semper se exibiram para amigos; Como pessoas tentam o tempo todo se lembrar de que a vida dos outros nem sempre é tão fácil quanto parece”, diz o autor.

“Pense no aforismo citado pelos membros dos Alcoólicos Anônimos: “Não compare seu interior com o exterior alheio”. É claro que esse conselho é difícil de seguir; Afinal, nunca vemos o interior das outras pessoas. Na verdade, porém, foi exatamente o que eu fiz nos últimos cinco anos, estudando dados de pesquisa agregados do Google. Sozinha com uma tela, anônima, uma tendência da pessoa e dizer ao mecanismo coisas que não revela às redes sociais, às vezes que não revela para ninguém mais. O Google oferece o soro da verdade digital. Como palavras que colocamos ali são muito mais honestas que como fotos que mostramos não Facebook ou Instagram”, revela Stephens-Davidowitz.

O economista então sugere: “Já que como tecnologias digitais vão ocupando um espaço cada vez maior na nossa vida, sugiro um novo mantra de autoajuda para o século 21, cortesia do big data: “Não compare suas buscas no Google às postagens dos outros no Facebook”.

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